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Os assassinos impunes do capitalismo social, por Paulo Vellinho* PDF Imprimir E-mail
11-Feb-2009

O processo de destruição do verdadeiro capitalismo faz parte de uma involução sutil, cruel e devastadora, que na sua marcha irresponsável foi derrubando princípios e valores até eclodir na atual crise mundial.

O capital, mola mestra da geração de riqueza e nobre atividade-fim, transformou-se ao longo dos anos, bipartindo-se no capitalismo social e sadio e um outro, daninho, que transformou a atividade-meio em atividade-fim (caudatário disciplinado das atividades industriais e outras agregadoras de valor pela mão-de-obra).

A realidade de ter sido a atividade econômica concentradora de renda gerou a busca de uma solução que permitisse mais partícipes no processo de geração de riqueza.

A democratização do capital das empresas se constituiu em um passo importante na integração de milhões de pessoas que passaram a investir suas poupanças no mercado de ações - a socialização do lucro. As bolsas de valores foram e são as ferramentas para acompanhamento desse novo mercado, que, ao mostrar também o lucro como virtude dos competentes, tornou-o uma palavra respeitada.

Sempre entendi que a empresa tem que ter dono, o árbitro de um processo que mantém em equilíbrio positivo os contornos da atividade empresarial, as respectivas políticas e os indispensáveis controles.

Pouco a pouco, a figura do controlador uno, fosse pessoa física ou uma holding, foi mudando de características quando o controle migrou para grupos de investidores que, de uma forma organizada, passaram a controlar o empreendimento, preservando a sua essência, sua base cultural e foco dos negócios. Essa harmonia entre os diversos polos de poder funcionou até que o capital físico - pessoas ou grupo de pessoas - agregou uma nova figura, os fundos de investimento, cada um deles com milhares de associados. E quem controlava esses fundos multipessoais? Os presidentes e sua diretoria, que se tornaram extremamente poderosos.

E, desta forma, os representantes dos fundos, bancos, capitais financeiros, assumiram de fato a atividade-fim, controlando e dominando os geradores de riqueza: a indústria, a agricultura, o comércio e todo o complexo que integra as atividades econômicas.

O gigantismo dos poderes de tais gestores deu-lhes na prática, de fato e de direito, a sensação de onipotência na gestão corporativa, autovalorizando os gestores profissionais, os CEOs e seus comparsas, remunerando-os com inacreditáveis mordomias, opções na compra de ações, stock options, e participação nas metas quantitativas das empresas, note-se, não nos lucros.

Esses senhores, assassinos do capitalismo social, transformaram as empresas democratizadas em "quintais" para seu usufruto, esquecendo os acionistas, seus verdadeiros donos.

Cumprir metas quantitativas e remunerá-las regiamente, fora da realidade, e estimular a valorização das ações geraram um festival de distorções e falcatruas, muitas vezes com a conivência ou omissão do conselho de administração e acreditem... dos próprios auditores independentes. Veja-se o caso da Emro, exemplo de abusos e má gestão, que felizmente responsabilizou criminalmente os responsáveis, raro exemplo mundial. E assim a força do capital financeiro foi se tornando indomável, enlouquecida, irresponsavelmente especulativa e egoisticamente criminosa, sem se dar conta de que a "bolha imobiliária", castelo de cartas ou falsa pirâmide podia ruir, como de fato ruiu, deixando como produto final impunes milhões de batedores de carteira de colarinho branco, acomodados e sentados em suas fortunas mal havidas, enquanto milhões de investidores e trabalhadores atônitos viram e estão vendo suas poupanças e seus empregos virar pó.

*Empresário

 
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