Diário espanhol diz que país já é potência econômica e tem desafio de erradicar a pobreza
O diário espanhol "El País" disse que o Brasil é o "país do presente",
em uma grande reportagem sobre o país publicada em sua edição deste
domingo. O jornal citou a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos
Olímpicos de 2016, a rápida resposta do país à crise econômica global,
a diminuição da pobreza e a liderança brasileira na América Latina para
sustentar que, quase 70 anos depois de ter sido feita, a previsão de
que "o Brasil é o país do futuro" começa a se tornar realidade.
A reportagem começa citando a frase colocada pelo escritor austríaco
Stefan Zweig em um artigo publicado em 1941, pouco depois de sua
chegada ao Brasil. E diz que, depois de superar uma ditadura militar de
duas décadas [a ditadura brasileira durou de 1964 a 1985] e um período
de decadência econômica no final do século passado, com hiperinflação e
o aumento da desigualdade social, o país começa finalmente a florescer.
"Hoje, o Brasil, um país do futuro [nome do ensaio de Zweig], poderia
revelar-se como uma obra mais atual do que nunca, ainda que também
poderia se chamar Brasil, um país do presente", disse o El País.
O jornal sustenta que confirmam sua análise as constantes notícias
publicadas sobre "o gigante sul-americano": "crescimento econômico
sustentado, solidez para aguentar o impacto da crise financeira,
criação 'imparável' de empregos, a descoberta de grandes quantidades de
petróleo no fundo de seu mar, a consolidação de sua indústria, a
diminuição incessante da desigualdade social com o surgimento de uma
nova classe média, a liderança política, econômica e militar da América
do Su".
O jornal disse que seria injusto deixar de citar a estabilidade
econômica obtida durante o governo de Fernando Henrique Cardoso
(1994-2002), mas afirma que todos os êxitos giram em torno da figura do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Lula é um animal político cuja intuição e o faro para estar na hora
certa no lugar certo estão fora de discussão", diz a reportagem.
"[Lula] desperta a simpatia de Barack Obama, ao mesmo tempo em que mira
o outro lado ante as estripulias do presidente venezuelano, Hugo
Chávez. Seu carisma e capacidade para agradar a gregos e troianos
parece não conhecer limites, talvez por ter forjado um estilo muito
pessoal de fazer política baseado na moderação".
Para o jornal, só a corrupção ameaça o futuro do país
O diário também destaca a postura do Brasil nos foros internacionais,
dizendo que o país "assume há anos o papel de porta-voz extraoficial
dos países em desenvolvimento, em especial os latino-americanos e
africanos".
E diz que, para o Brasil, conseguir um assento no Conselho de Segurança
da Organização das Nações Unidas (ONU) "seria a maneira mais efetiva de
fazer com que a voz e os interesses do Terceiro Mundo sejam levados em
conta".
"O argumento usado por Lula para alcançar esse objetivo a curto ou
médio prazo é a indiscutível liderança brasileira na região
sul-americana", escreveu o El País.
Mas o jornal pondera que há apenas uma ameaça que pode fazer com que as previsões sobre o país não sejam cumpridas:
"Só a corrupção, arraigada há décadas na classe política brasileira,
representa em si mesma um dragão de sete cabeças que ameaça acabar com
um futuro promissor", disse o texto.
Para o El País, cabe ao Brasil agora "demonstrar que sabe aproveitar esta oportunidade única que lhe brinda a história".
Fonte: Correio do Povo
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