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Um produto ruim para os negócios do tráfico PDF Imprimir E-mail
15-Nov-2009
Ao viciar e matar rapidamente pessoas da própria comunidade, o crack começa a desestabilizar a hierarquia do tráfico na periferia. Por isso, nos morros cariocas, criminosos tentaram ao máximo frear a chegada da pedra. Para o professor de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Adão dos Santos, a tolerância e o respeito aos donos das bocas de fumo começam a se perder.

Segundo ele, até a entrada do crack no Estado, o traficante tinha, entre muitos moradores da periferia, a imagem de um fora da lei que ajudava a comunidade. Um criminoso que vende drogas para os playboys do asfalto e ajuda os vizinhos com remédio, gás e segurança. Ao espalhar as pedras entre filhos e netos dos moradores, no entanto, ele começa a perder status de Robin Hood moderno. Santos explica:

– A venda de cocaína não incomodava tanto, pois a droga era consumida em maior parte por gente de fora da vila. Muitos adolescentes viam no tráfico uma possibilidade de remuneração e status. O crack inverte isso. Muitos deles agora trabalham para o traficante em troca de pedras.

O descontrole causado pelo crack também é um dos maiores problemas enfrentados pelos criminosos no Rio de Janeiro, explica o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), psiquiatra Jairo Werner. A droga começou a entrar na cidade maravilhosa em 2003. Os traficantes tentaram reprimir sua disseminação, mas a pedra tomou de assalto os morros do Rio há dois anos quando a repressão policial levou à redução do consumo de cocaína pela classe média. Foi então que membros da facção criminosa Comando Vermelho, para aquecer suas vendas, começaram a misturar crack a cigarros de maconha.

Fonte: zerohora.com

Conheça iniciativas de comunidades gaúchas na luta contra a droga acessando o blog Rede Contra o Crack. Divulge também a sua mobilização
 
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