Ao viciar e matar rapidamente pessoas da própria comunidade, o crack
começa a desestabilizar a hierarquia do tráfico na periferia. Por isso,
nos morros cariocas, criminosos tentaram ao máximo frear a chegada da
pedra. Para o professor de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Adão dos Santos, a tolerância e o
respeito aos donos das bocas de fumo começam a se perder.
Segundo
ele, até a entrada do crack no Estado, o traficante tinha, entre muitos
moradores da periferia, a imagem de um fora da lei que ajudava a
comunidade. Um criminoso que vende drogas para os playboys do asfalto e
ajuda os vizinhos com remédio, gás e segurança. Ao espalhar as pedras
entre filhos e netos dos moradores, no entanto, ele começa a perder
status de Robin Hood moderno. Santos explica:
– A venda de
cocaína não incomodava tanto, pois a droga era consumida em maior parte
por gente de fora da vila. Muitos adolescentes viam no tráfico uma
possibilidade de remuneração e status. O crack inverte isso. Muitos
deles agora trabalham para o traficante em troca de pedras.
O
descontrole causado pelo crack também é um dos maiores problemas
enfrentados pelos criminosos no Rio de Janeiro, explica o professor da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), psiquiatra Jairo
Werner. A droga começou a entrar na cidade maravilhosa em 2003. Os
traficantes tentaram reprimir sua disseminação, mas a pedra tomou de
assalto os morros do Rio há dois anos quando a repressão policial levou
à redução do consumo de cocaína pela classe média. Foi então que
membros da facção criminosa Comando Vermelho, para aquecer suas vendas,
começaram a misturar crack a cigarros de maconha.
Fonte: zerohora.com
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